A Resposta Foi Não

 

A Resposta Foi Não

por Melissa Greene

Como minhas orações para a cura do câncer de meu cunhado não foram atendidas e como isso aumentou minha confiança em Deus.

Enquanto colocava meu filho recém-nascido no berço, lágrimas se derramavam de meus olhos sobre o cobertor do meu bebê. Soluços incontroláveis surgiam e eu não pude mais segurar o que estava dentro de mim. Horas antes, o marido de minha irmã, Jody, tinha sido diagnosticado com câncer fase quatro. A tristeza se apoderou de mim. Deixei o quarto de meu filho, silenciosamente fechei a porta, e em prantos me movi pela casa procurando consolo em meu marido.

Assim que caminhei degraus abaixo, achei o Ben chorando intensamente e clamando repetidas vezes: “Deus, nós não aceitaremos ‘não’ como resposta!” Eu me sentei próximo a ele. Juntos, oramos fervorosamente, com a certeza que Deus curaria Jody.

Antes de Jody adoecer em 2006, tudo em nossas vidas parecia estar dando certo. Minha irmã, Tiffany, Jody, e o filho deles de 2 anos de idade se mudaram para Nashville para estar perto do restante da nossa família. Nós estávamos juntos pela primeira vez em muito tempo. Eu tinha assinado há pouco um contrato com uma gravadora para gravar um álbum solo. Portas novas em meu ministério estavam se abrindo. Tinha acabado de ter um lindo filho. Nossa família tinha muito a agradecer a Deus.

Mas depois de alguns meses da mudança da minha irmã para Nashville, Jody adoeceu. Depois de várias visitas ao médico, uma tomografia revelou que o pulmão esquerdo dele tinha se reduzido ao tamanho de uma noz. Fluido tinha preenchido a área perdida. Depois que testes descobriram o que estava acontecendo, os médicos encontraram células cancerosas em seu organismo. Choque e descrença foram o que sentimos no momento.

Dentro de alguns dias, iniciou-se uma agressiva quimioterapia. No princípio, o câncer respondeu ao tratamento. Mas poucos meses depois já não estava tendo nenhum efeito. Jody foi enviado a um centro de pesquisa e começou a usar uma droga que ainda estava em estudo. Foi nossa última esperança medicamentosa. Ainda assim tínhamos convicção no milagre que Deus executaria.

Meses depois de começar o uso do novo medicamento, a saúde de Jody entrou em declive acentuado. Ele desenvolveu uma trombose na perna esquerda e teve que ser hospitalizado depois de uma queda na escada de sua casa. Nesse momento ele já estava requerendo transfusões de sangue semanais. Eu me lembro de um dia, durante o almoço, que ele estava tão fraco que nem pôde segurar seu sanduíche.

A tensão e a preocupação estavam nos desestruturando — especialmente minha irmã. Certo dia, meu telefone tocou. Ela, chorando, disse, "eu penso que seria melhor se não acordasse amanhã. Eu não agüento mais." Minha irmã tinha só 32 anos; por que ela teve que agüentar esta dor? Todos nós sabíamos que Deus estava no controle, mas por que ele deixaria isto acontecer a um casal tão jovem? Por que Jody? Nós constantemente dizíamos “Por que, Deus? ".

Ironicamente, Jody era o mais forte de todos nós. A fé dele não parecia oscilar. Ele sempre dizia a minha irmã, "Tiff, Deus tem um plano. Deus permitiu que isto acontecesse e eu testemunharei para todo o mundo como Deus está trabalhando em nossas vidas."

Posteriormente, Jody teve que ser internado na UTI de um hospital em Nashville. Ele estava à beira da morte. Nossas esperanças se esvaíam. Nós choramos junto com o doutor de Jody. Tiffany e eu dormimos no chão do hospital durante três noites seguidas esperando que algo acontecesse, que Deus interviesse e nos despertasse deste pesadelo. Nós sabíamos que Deus podia, então porque não fazia? Nós sabíamos o que queríamos que Deus fizesse e tínhamos fé que Ele podia. Nós não estávamos prontos pra aceitar qualquer outra opção.

Naquela noite de quarta-feira, decidimos dar um intervalo do hospital. Estávamos em minha casa tentando achar algum jeito de nos descontrairmos com amigos e desfrutar a vida. O telefone tocou. Não sabíamos de detalhes, mas era pra voltarmos imediatamente para o hospital. O que não queríamos aceitar estava acontecendo: Jody estava morrendo. Nenhuma palavra foi proferida durante aquele trajeto de dez minutos, um trajeto que todos nós desejávamos ter sido mais longo só pra evitarmos a realidade do momento e o inevitável que nos esperava no hospital. No dia 6 de setembro de 2007, minha família, alguns de nossos amigos mais íntimos, e eu assistimos Jody nos últimos minutos dele de vida em Terra. Logo antes de tomar seu último fôlego, ele abriu seus olhos e fitou diretamente minha irmã como se dissesse adeus, e então se foi pra sempre. Depois de nossas orações que duraram meses, recebemos nossa resposta de Deus. E a resposta foi não.

Minha irmã de 32 anos se tornou viúva e o filho de três anos ficou órfão. As lágrimas vieram livremente como a realidade do que há pouco tinha acontecido se instalou em nós. Primeiro foram lágrimas de alegria por saber que uma batalha de onze meses contra o câncer tinha terminado e Jody já não estava sofrendo. Nós podíamos o imaginar sorrindo enquanto abria os olhos à realidade da vida eterna. Então vieram as lágrimas de tristeza pela mesma razão: a vida dele aqui tinha chegado ao fim. O que eu não teria feito para ter apenas mais uma noite dormindo no chão do hospital.

Nos dias e semanas após a morte de Jody, começamos a ouvir Deus responder nossas orações por conforto e sentir que Ele nunca tinha se afastado de nós. Nós percebemos que Ele ainda estava no controle. Sofonias 3: 17—" ele o aquietará com seu amor"— continuamente estava sendo semeado em nós enquanto clamávamos por respostas. Nos apoiamos sobre a graça e amor do Senhor. Nossas preocupações estavam sendo aquietadas por uma força tranqüila que nos chamava a nos levantarmo-nos e darmos novos passos em nossas vidas, ainda mais fortes e mais cheios de Deus.

Nós tivemos que deixar Jody e aprender a renunciar o controle sobre nós mesmos. Essa foi uma enorme e difícil transição. Assim que passavam os dias, percebia que tinha me segurado firmemente sobre a esperança de ver Jody curado. Eu não tinha orado para que se cumprisse a vontade de Deus. Eu tinha orado por uma resposta específica. Eu não estava confiando em Deus. Eu estava confiando no que eu queria que Deus fizesse. Perceber isso me ajudou a crescer em fé. Eu posso dizer honestamente agora que confio em Deus como nunca. É engraçado como isso funciona!

Depois que a dor diminuiu e as lágrimas se foram, nós ainda temos a Deus, e isso nos é suficiente.

A americana Melissa Greene é uma reconhecida cantora cristã, e faz parte do grupo Avalon.

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