O Avesso da Prosperidade

 

 

Tantos têm continuamente se perguntado: ”Como posso alcançar a benção da prosperidade?” Realizar esta pergunta, por si só, não é um pecado, o problema surge quando a resposta a este questionamento se torna o alvo maior da vida do indivíduo, e/ou quando aquele que deseja tal coisa não se preocupa a que custo alcançará essa suposta prosperidade.

Visando responder a tal pergunta, correntes e denominações evangélicas, já há tempos, têm disseminado no meio do rebanho a famigerada Teologia da Prosperidade, que deturpa e inverte conceitos bíblicos à conveniência de quem dela se utiliza para manipular o público, enganando-o com promessas que não encontramos na Palavra, criando métodos anti-bíblicos para se adquirir bênçãos, tornando a prosperidade um fim em si mesmo e, desse modo, substituindo Jeová por Mamom.

Postamos abaixo dois textos que versam sobre essa falsa teologia. No primeiro, um resumo de uma entrevista feita com Paulo Romeiro, o pensador cristão discorre sobre a relação entre o neopentecostalismo e a busca irresponsável pelas transitórias bênçãos materiais. No segundo, o pastor Caio Fábio, respondendo a uma carta de um irmão mineiro, enquadra, sem meias palavras (como de praxe), a Teologia da Prosperidade como “coisa do Diabo”.

Particularmente, sonhamos com o dia em que todos os que se dizem cristãos deixarão de se enganar pelas suas próprias concupsciências, assumirão a posição de servo fiel e submisso ao Senhor dos senhores, e viverão não mais o Evangelho da satisfação pessoal, mas o Evangelho segundo Jesus Cristo.   

Ira & Tiago Campos

 


Decepcionado com Deus

Ao decepcionar-se numa igreja, o crente vai em busca de outra. Nas grandes cidades, detecta Romeiro, há um contingente significativo de evangélicos que circulam, constantemente, de igreja em igreja, constituindo o fenômeno que os sociólogos chamam de “trânsito religioso”.

A tese de Romeiro está descrita em trabalho de doutorado em teologia. A tese foi transformada em livro e deverá ser lançado entre abril e maio sob o título Decepcionados com a graça – Esperanças e frustrações no Brasil neopentecostal, pela editora Mundo Cristão.

O "nômade da fé", descreveu Romeiro na entrevista à Eclésia, “busca respostas imediatas aos problemas, "uma vez que vivemos na era da velocidade. Se as respostas não chegam rápido, o sujeito procura um nova igreja”.


E o que essas pessoas que são atraídas às igrejas neopentecostais buscam? Que fiquem ricas, sejam curadas de todo tipo de doença e que todos os seus problemas sejam resolvidos, desde a falta de dinheiro até a falta de emprego. Essas são promessas da teologia da prosperidade, que propõe banir a pobreza, a doença.

O problema não está na prosperidade, mas na teologia, assinalou Romeiro. Para a teologia da prosperidade, o crente "deve morar em mansão, ter carrões, muito dinheiro e nunca ficar doente. Quando isso não acontece, é porque ele está sem fé, em pecado ou debaixo do poder de Satanás", explicou o pastor da Igreja da Trindade.

Romeiro mudou a lógica no argumento: "Ora, se formos avaliar a vida espiritual de uma pessoa pela casa onde mora ou pelo saldo bancário, temos que concluir que muitos jogadores de futebol e artistas têm uma comunhão com Deus fora do comum. E isso não é verdade.”

Hoje em dia, analisou o pastor, as pessoas na igreja funcionam na base da emoção, e não pela reflexão. A teologia da prosperidade e todo esse clima de emoção têm forte apoio na mídia, um instrumento que as igrejas neopentecostais sabem trabalhar muito bem.

 “Creio que o fator principal que garante a sobrevivência do movimento neopentecostal é o seu investimento pesado na mídia e o seu sucesso em colocar a igreja no mercado e as políticas do mercado na igreja", avaliou Romeiro na entrevista à Eclésia.

Isso ainda vai durar algum tempo, representando crescimento dos principais grupos neopentecostais no Brasil. Mas não têm mais o mesmo ímpeto que tinha no passado.

Romeiro entende que, "na medida em que os adeptos vão se decepcionando com a mensagem e a falta de ética de alguns segmentos neopentecostais, creio que haverá uma volta à Bíblia por parte de muitos. Por isso, as igrejas cristãs devem estar preparadas para receber e ajudar tais pessoas", recomendou.

Na entrevista, Romeiro também questionou o fato de mais e mais pessoas se converterem e a situação da nação brasileira ficar cada vez pior, basta analisar os casos de violência, o tráfico de drogas, que estão "fora do controle das autoridades". “Que Evangelho é esse que não afeta a sociedade para melhor nem transforma pecadores em santos?”

O neopentecostalismo, definiu, é "vigoroso na sua ação evangelizadora, na capacidade de agrupar pessoas, mas frágil na sua ação disciplinadora".

 

Fonte: http://www.mundocristao.com.br

 

 


A Desgraça Da Teologia Da Prosperidade

Carta de André Pompeu, de Itajubá , MG, ao pastor Caio Fábio.

 

Rev. Caio Fábio, como vai? Gostaria de saber do senhor por que quase todo “crente da prosperidade”, de várias vertentes evangélicas, sempre têm discursos megalômanos, de conquistar, de ser, de poder-ter? Por que eles só falam disso? Por que eu quase não vejo nesses crentes a disposição de servir – não de ser servido por um deus capacho; de dar – não de receber?

 

Isso sem falar do resto do cristianismo como religião de controle e manipulação, que quer porque quer impor o reino de Deus na terra como se isso fosse uma coisa literal… Quando eles vão tomar consciência que o Reino não vem com visível aparência, porque está em cada um de nós, conforme vamos crescendo no conhecimento do Evangelho e da Graça de nosso Senhor Jesus Cristo? Esse negócio de querer impor esse reinado literal na terra, através de guerras, de manipulação, por meio de homens que só tem em mente o PODER TER, não cheira a Anticristo?

 

O cristianismo está se tornando megalomaníaco novamente, meu querido pastor? Será que eu estou tendo um surto psicótico agora mesmo, a essa hora da madrugada? Não sei… Passo a bola pra senhor… Um beijo no senhor.

 

 

Resposta de Caio Fábio: Meu caro amigo no Senhor: Graça e Paz!
Como é possível crer que o significado da vida é feito de bens e posses; de poderes e cargos importantes; de superioridade sobre os demais por se ser “filho do Rei”; crer que Deus responde ao dinheiro muito mais do que a uma oração quebrantada; e entender prosperidade como algo a ser medido por conquistas materiais – e não colocar o coração em poder-ter e em “ser-alguém” porque se tem poderes ou posses?


Simplesmente é impossível confessar tais coisas, e pensar que o resultado e o significado podem ser diferentes. Sim, porque cada um fica do tamanho do seu ídolo-teológico; e também cada um se torna a imagem de sua própria confissão com a boca. Esses senhores da prosperidade são filhos da avareza, que é idolatria; posto que só se ocupam das coisas desta vida. Paulo diria que o “Deus deles é o seu próprio ventre”. A desgraça chamada de Teologia da Prosperidade é uma das coisas mais demoníacas que já aconteceram à “igreja”; e uma das principais responsáveis por pegar o que restou da Igreja, saqueando-a de suas ultimas purezas, e, assim, tornado-a “igreja”.

 

Ora, a tal “Prosperidade Idólatra e Materialista”, além de ser total perversão da mensagem e sentido do Evangelho Eterno, acontece também, entre outros fatores, em razão do complexo de inferioridade da “igreja”; e também em razão de que a maioria dos proponentes de tal “teologia”, quase sempre, são pessoas de origem simples, e que viveram na pobreza, ou que não tiveram muita instrução, ou que viram na “igreja” o melhor negócio de suas vidas. Afinal, que negócio é mais lucrativo na Terra do que a religião? Veja: Não dá nada pra ninguém e recebe de todos; não vende nada material, mas recolhe grana como quem vendeu diamantes invisíveis; não investe em produção, mas ganha muito como indústria de promessas de milagres; não tem que manufaturar nada, pois apenas tem que manipular tudo; não tem que convencer ninguém de nada, posto que, pela pobreza, pelo medo, e pela infelicidade da existência, tais indivíduos, os “fiéis”, já compraram o “pacote” como quem compra o poder de um “despacho”, etc. Isto porque a visão de Deus anunciada nesses grupos é a de um “Deus” perverso, avaro, ganancioso, inescrupuloso, louco por prata e ouro, e que não agüenta receber uns trocados sem dar uma demonstração pagã de poder (coisa de pequenas e medíocres divindades).

 

Desse modo, meu irmão, ainda que conhecendo milhares que conhecem a Deus mesmo na “igreja”, a maioria, entretanto, apenas sabe de Deus pela boca doutrinária de terceiros, o que os deixa à mercê das intenções de todos os inescrupulosos. Enquanto os “evangélicos” não pararem de ouvir somente os “pastores”, e passarem a ler de fato a Bíblia que apenas carregam como amuleto divino em baixo do braço, o paganismo reinará na “igreja”. O povo perece sempre por falta de conhecimento de Deus e da Palavra! Essa tal “teologia” é o conteúdo espiritual de um deus pagão. Sim, um deus que responde à mecânica ritual das campanhas de prosperidade, e que se deixa mandar pelas ordens e caprichos dos pastores; e que, além disso, faz acepção de pessoas, pois, apenas é bom para os que dão dinheiro a “ele”; e também só é bom para aqueles que não faltam os encontros com “ele” nos horários predefinidos pelos “seus” donos na terra: os sacerdotes da religião.

 

No caso em questão, falo dos “sacerdotes” da religião evangélica; que foi a mais afetada por essa filosofia dos gurus indianos na América na década de 60 e 70. Sim, porque a “Teologia da Prosperidade” apareceu na carona do “deus rico” dos gurus da Califórnia; e seu conteúdo é idêntico ao “deles”; ou seja: a divindade tem seus “gurus”, os quais, em sendo “servidos pelo povo”, carreiam para os “servos” as bênçãos que apenas são liberadas, se eles, os gurus, forem servidos abundantemente e em primeiro lugar. Como se não bastasse, essa tal “teologia” também é feita do mesmo material de conteúdo das principais correntes da mecânica da neuro-lingüística da Nova Era. Desse modo, Deus virou deus; e de Criador passou a Criado; e de Provedor virou Garçom de Crente; e de Senhor passou a ser Servo das ordens e caprichos dos pastores que “o” controlam, e dos crentes que com “ele” fazem suas barganhas. De fato estamos falando de uma “coisa” que seria mais bem chamada de Evangecumba.

 

Sim, a “teologia da prosperidade” não passa de paganismo feito dos mesmos elementos mântricos e das mesmas repetições pagãs às quais Jesus denunciou. Você pergunta se isto é anticristo? Ora, é claro que é. Por muito menos Paulo disse que os judaizantes de seus dias – os quais eram teologicamente “puros” perto dos proponentes da “prosperidade” -, eram “inimigos da cruz de Cristo”. Preste bem atenção: Eu não tenho a menor dúvida que tudo isto que acontece à “igreja” hoje é coisa do diabo, e creio que o “espírito” que age em tais lugares, não é o Espírito de Deus, mas o espírito do mundo que jaz no maligno. Ora, esta não é uma opinião minha, pois, quem quer que seja honesto, e que conheça a Palavra, haverá de saber que tudo o que disse acima é verdade conforme Jesus e o Evangelho Eterno e Imutável.

 

Desse modo, não tenho nenhum temor quanto a dizer que entre muitos que são sinceros, ainda que enganados pela total ignorância espiritual na qual vivem, há também uma legião de mal intencionados, os quais, na sua maioria, não são os crentes, que apenas ouvem o que é dito, mas sim os pastores que se fizeram mediadores entre os pobres crentes e “Deus”. Ora, para mim, tal realidade equivale a ver “o abominável da desolação assentado no lugar santo”, e dando ordens em nome de Deus, como se Deus mesmo eles fossem. O “Cristianismo”, como em abundancia aqui tenho escrito, é mais uma Religião Pagã. Em seu meio, desde o inicio – ou seja: desde Constantino, que é o seu criador -, o que prevaleceu foi à magia, a bruxaria que buscava bruxas para matar com mórbido t…, e toda sorte de tentativas de controle do nome de Deus a fim de manipular o povo ou negociar com os príncipes e com as potestades políticas.

 

Vejo todas essas maneiras perversas de relação com “Deus”; e também vejo como sendo coisa que se equivale à bruxaria dos “Enoquianos”, por exemplo, que é uma seita que crê que, por meio de palavras mágicas de ordem, pode-se por os anjos a serviço do homem, quando este bem entende, sendo os anjos sujeitos aos homens e aos seus caprichos. Somente quem não conhece a Jesus e Sua Palavra pode pensar que minhas palavras são ácidas. Pois, quem de fato conhece a Palavra, sabe que não digo aqui nada que Paulo, Pedro e Judas não tenham dito em suas cartas e epistolas. E mais: somente quem não conhece o espírito do Evangelho e seu conteúdo, é que pode se entregar à loucura, ao devaneio, ao surto da “teologia da prosperidade”, crendo que se trata de algo genuíno ou de Deus. O “Deus” ensinado pela “teologia da prosperidade” é a cara do Diabo!

 

Assim, meu irmão, não perca mais seu tempo com esses caras e nem com tais loucuras, pois, de certo, o fim deles, não será bom; especialmente o fim daqueles muitos que se servem de tais práticas apenas para enganar o povo, conforme um vídeo novo do senhor Edir Macedo, e que circula pela net, no qual, sem pudor, ele ensina seus “pastores”, explicitamente, acerca de como devem proceder para arrancar grana do povo, mesmo e especialmente dos pobres. Ora, o escracho e maldade propostos, são explicitas, e ainda a se faz afirmar a partir da seguinte convicção: “No meio daquele povo, vai ter gente não gostando… Mas e daí? Tem que dar. E sempre tem gente para dar…” Deus é Vivo! E todos eles, logo, logo, estarão diante do Eterno; e então verão com quantos paus se faz uma eterna cangalha!

Receba meu carinho!
Fique firme no Evangelho da Graça!


Nele, em Quem a prosperidade é riqueza de boas obras e amor, e não grana e poder humanos,

 

Caio


Fonte: www.caiofabio.com

 

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